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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Crónicas do trabalho [2]


É preciso não esquecer que as pessoas, a maioria das pessoas, são más. Por trás dos olhares e posturas calmas, por trás das palavras brandas e da curiosidade mascarada de preocupação, esconde-se uma vontade enorme de vencer sem olhar a meios. E o meio posso ser eu, agora ou amanhã. E quando eu for o meio, não há amizade nem bons valores que me valham. É para pisar, pisa-se. Porque o meio é "só" um caminho, mesmo quando o meio também é gente.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Stand up for yourself


É assim que eu me sinto. Com necessidade de me fazer valer, de fazer ouvir a minha opinião, mesmo quando vai contra todos ou só contra quem manda. E é isso que eu faço, mesmo que muitas vezes ache que ganhava mais em estar calada.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Crónicas do trabalho [1]


Há uma coisa que me deixa delirante. É o profissionalismo, a moral e os bons costumes apregoados, hasteados como a bandeira nacional que demonstra a nossa vivência total de um patriotismo fingido, que neste caso não se refere ao país mas sim aos valores que se diz ter. Por vezes, até se vive um ou outro dia à luz desse tal profissionalismo que tanto nos caracteriza. Mas chega sempre o dia em que tudo o que se cuspiu para o ar lhes cai na testa, na altura em que mais do que tudo é importante puxar todos os galões e mais alguns para evidenciar (como se não soubéssemos) quem manda. Especialmente quando é uma potencial win-lose situation, mesmo que a uma escala mínima, que os faz perder a humildade que está entre os bons costumes, a seriedade e o profissionalismo, e dizerem-se chefes porque sim, porque mandam.
E nós? Fazemos continência...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Ainda aqui estou


Ainda aqui estou, portanto não precisam de marcar nas vossas agendas um tempinho para me visitarem no manicómio.
E não, a minha ideia não foi aceite. Foi um daqueles momentos chefe-manda que todos conhecemos tão bem. Chefe disse que preferia uma abordagem mais xpto, e dá um exemplo.
Eu acho a abordagem dele muito má. Tento fazer algo semelhante, na mesma linha mas cobrindo alguns aspectos que, na minha opinião, ele havia descurado. Explico-lhe. Ele volta a dizer que preferia o exemplo dele. Voltei a explicar o que achava de incorrecto no exemplo que ele deu. Chefe repetiu que continuava a preferir o exemplo dele. Colegas já cansados de me lançar o olhar 43=deixó'estar. E eu deixei-o estar. E fiz tudo como o chefe manda, fiz a borrada toda à maneira dele. Perfeitamente consciente de que tinha razão nos meus argumentos, mas ainda mais ciente de que o chefe é ele. E o chefe manda.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Perto do internamento...?



E pronto. É hoje que fica decidido o meu futuro nesta empresa. Acabei de enviar um e-mail ao meu chefe com uma proposta minha. Acho que há duas hipóteses:

a) Ele acha genial;

b) Ele manda-me internar.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Só peço mais um bocadinho de força


Às vezes só peço a Deus mais um bocadinho de força. Não porque eu acredite que as coisas caem do céu, mas porque eu estou a fazer mais do que posso e estou a um pequenino passo de estoirar. E por isso só Lhe peço um empurrãozinho, devagar para que não caia, com força suficiente para me ajudar a chegar.
Esta semana foi daquelas do tudo ou nada. De projectos profissionais que determinam quem somos, o lugar que temos, a opinião que têm de nós. E se o desafio foi por mim lançado e pelos outros aceite, não ia sentar-me a ver. Não faz parte de mim nem ficar sentada, nem deixar passar oportunidades, nem desistir.
Então foram muitas horas de trabalho. Com percalços naturais pelo meio. Com stress à mistura e nervos dos outros para acalmar. Sem grande tempo para respirar.
Os compromissos escolares já estavam agendados, pelo que foi sempre largar o trabalho e pegar noutro trabalho, com o esforço extra de tentar que a minha cabeça se sintonize numa questão de minutos numa realidade totalmente diferente.
Ontem, depois de parte desta loucura estar concluída, dei por mim a respirar fundo e a descomprimir da pressão. Tentei, sem me forçar demasiado porque sei onde estas acelerações me levam, dizer a mim mesma que é só mais um bocadinho, é só chegar a casa depois das 9h da noite e começar a estudar o dossier de matéria. Já era hoje quando me deitei, e as poucas horas de sono passaram rápido. E aqui estou, de pé mas já tão frágil que se me abanam em tombo, a tentar ignorar as dores no corpo e os olhos pesados e encovados, e estudar mais um pouco para que este esforço todo não seja em vão.
Hoje, é só um bocadinho mais de força. Amanhã logo se vê. Mas hoje, é só mesmo uma força pequenina, porque ninguém gosta de dar o litro e não ver recompensas.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Que semana!


Esta semana foi uma semana a sério. Na escola, um trabalho de uma cadeira para entregar no início da semana, outro para entregar e apresentar hoje, começar a estudar para uma frequência daqui a dois dias, aulas até à meia-noite, seminário e o tema da tese para decidir.
No trabalho, foram reuniões a começar às 7h da manhã, horas de almoço de, no máximo, meia hora, apresentações para preparar e fazer, mais que muitas solicitações e pedidos, dezenas de telefonemas e negociações e um evento para preparar.
No resto da vida, que é muito pouquinha porque só os dois tópicos acima ocupam-me o dia todo, foi tentar dormir 4 ou 5 horas por noite, perder tempo a disfarçar as olheiras enormes e as duas borbulhas que apareceram em consequência de um chocolate de avelãs, ocupar-me de prendas e miminhos de Natal, almoços de Natal, começar a maratona de bombons (começaram a chegar à empresa as caixas de bombons oferta de clientes...), ir a um hipermercado a correr para comprar uma coisa e acabar por demorar mais de 45 minutos por ter que fazer uma queixa formal, algumas novidades, elogios qb e muita ciumeira de uma amiga que vai amanhã para NY. E os cinco minutinhos que me sobram a cada dia, depois disto tudo, têm sido destinados a sentar-me na minha cama com um livro e uma caneca de leite, a ver se exorcizo toda esta energia e aceleração e se consigo adormecer.
E amanhã a semana chega ao fim. Thank God.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010


Eu não acho que já sei tudo ou que sou muito experiente. No entanto, são muitas as vezes em que olho para mim e me sinto orgulhosa do que aprendi e cresci. Tenho muito que caminhar, errar, bater com a cabeça e aprender, mas não deixo de ficar feliz quando, ao olhar para trás, vejo que tudo me trouxe lições e me fez amadurecer. E nisso, o mundo do trabalho é um professor exímio.
Uma das coisas que tomei consciência mais recentemente foi o facto de que, enquanto trabalhadores, podemos e devemos queixar-nos. Claro que não é regra geral, mas muitos chefes até agradecem, porque de outra forma não conseguem saber o que se passa e procurar ajudar-nos. Não é fazer queixinhas, é ter uma conversa fundamentada, argumentar e mostrar o nosso ponto de vista. Sempre esperando, obviamente, objecções e questões da outra parte. Mas o nosso dever ficou feito, e não há que ter vergonha de admitir que achámos que a pessoa nos falou mal, e não há que ter pudor em, de forma delicada, chamá-la à razão e explicar subtilmente que aquele não é o melhor tom para se falar com outras pessoas.
E isto, meus amigos, foi uma grande lição que aprendi.
Partilhem as vossas, que isto mais coisa menos coisa, as lições de um servem para todos.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Outro lado da crise

Há um outro lado da crise, que me parece que ninguém fala mas que a mim me preocupa mesmo muito. Já aqui falei deste assunto, mas volto a escrever a minha indignação porque não há dia em que não saiba de uma história mirabolante ou não oiça uma queixa sentida e fundamentada.
Quando é que os chefes, gestores, líderes, empresários, patrões, Drs. e Eng., como quiserem que lhes chamemos, se esqueceram que os outros são gente? Como é que conseguem tratar algumas pessoas como tratam, com um grito fácil ao primeiro erro, com um raspanete em público que podia ser evitado, com os maus modos de quem anda com o mundo às costas. Será que eles, que tantos têm mulheres ou maridos, filhos, irmãos, pais e netos, se esquecem que os seus, onde estiverem, podem estar sujeitos ao mesmo? E será que não se lembram com remorsos do que disseram ou fizeram, quando algum dos seus sofre?
Quantas pessoas vão passar este Natal a pensar no que será do seu futuro, se no próximo ano poderão comprar uma prendinha para aqueles de quem gostam? Quantas pessoas vão, na viragem para 2011, pedir só um desejo: Não perder o emprego, ou arranjar um emprego, para conseguirem continuar a sua vida?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A loucura

Esta semana está a ser a loucura. Trabalhar até às nove da noite quase todos os dias, fazer pouca hora de almoço, ainda ir às aulas até à meia noite.
A minha cabeça está a pedir descanso. Ora vejam um exemplo:
Tenho que comprar um fato de treino para oferecer ao nosso anjinho de natal. Liguei à minha mãe e perguntei-lhe onde havia pijamas giros de criança. Ela respondeu-me. Passado umas horas lembrei-me que não era pijama... Era fato de treino. Hoje entrei numa loja de criança e fui direitinha aos pijamas. Por acaso não havia nenhum que eu gostasse, se não tinha trazido... Mas o que preciso é de comprar um fato de treino.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Dá gozo




Eu não quero mal a ninguém. Nunca quis.
Mas a verdade é que me deu um certo gozo.
Depois de esnobarem o meu esforço, de negarem o meu empenho, as minhas capacidades, de me fazerem acreditar que eu sou uma incompetente. Depois de desfazerem de todas as gotas que suei com aquela camisola vestida e de esquecerem todo o empenho que sempre tive, é bom saber que ao que parece há quem sinta a minha falta. Que há quem note a minha falta. É bom. Sabe bem. Mesmo que não lhes deseje mal nenhum. Mesmo que eles nunca o admitam.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A sorte que dá trabalho


Quando começámos a namorar, eu tinha acabado um estágio e estávamos ambos a estudar. Centenas de currículos e ruas palmilhadas depois, acabei o curso e comecei num primeiro trabalho. Não correu bem, peguei nas malas e saí. Mais uns quantos currículos, bater às portas e mostrar vontade de trabalhar e um novo trabalho. Entretanto acabou ele o curso e começou um estágio. E em simultâneo foi fazendo uma perninha numa possibilidade de emprego que não se chegou a concretizar. Acabou o estágio e começou a trabalhar. E a estudar à noite. Passados uns meses, depois de algumas formações, workshops e conferências, voltei eu a estudar a sério também. E mais recentemente, voltei a mudar de trabalho.
Pode parecer que para nós foi muito fácil. Mas não foi assim tão fácil. Esforçámo-nos. Lutámos. Tivemos muita sorte mas também fizemos por a merecer. Sujeitámo-nos a condições menos favoráveis só por uma oportunidade de mostrarmos o nosso valor, e fomos recompensados. Pressionámos, corremos atrás, ligámos e esperámos ansiosamente por respostas.
Talvez para alguns sejam mudanças a mais, mas para nós interessa-nos saber que não baixámos nem baixaremos os braços nunca. E que vamos andando, procurando a felicidade onde ela estiver. E assim continuaremos.
Pode até ser a sorte. Daquelas sortes que dá trabalho. Ou então é a diferença entre os que ficam à espera do destino e os que fazem o destino acontecer.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Mau feitio


Os meus colegas avisaram-me. Um dos big bosses chamou-me só para me avisar. Que é preciso paciência para ele. Que é o feitio dele. Que é preciso saber levá-lo. Que é preciso ter calma porque no fundo o homem é um génio e um visionário.
Até pode ser, mas tem uma incapacidade qualquer em controlar o mau feitio que volta e meia o assola, e que eu desconfio que seja birra de sono ou de fome. Há alturas em que nada está bem, e não concorda com nada, e somos todos implicativos, e berra e esperneia sozinho com uma ou outra asneira pelo meio enquanto vai criticando amiúde o meu trabalho (e dos outros). Depois deve ir para casa, dorme sobre o assunto (ou alimenta-se, dependendo do mal que for) e no dia seguinte lá aparece, novo em folha, para me dizer que esteve a pensar e afinal eu até tinha feito bem. Até tinha razão. Até ficava melhor como eu sugeri. E é um querido, que podia dizer só "alterei isto ou aquilo", mas diz "alterei isto ou aquilo como tu sugeriste e eu achei muito bem". Mesmo que menos de 24h antes tenha dito que na, na, na, isso não faz sentido nenhum.
E vou eu percebê-lo? Entretenho-me a pensar "és tão mauzinho, credo. blá-blá-blá-não 'tou-t'ouvir" quando ele faz birra.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Encontrar-me

Não sei se será da ambição. Se do zelo. Se do medo. Se da minha eterna
pressa de fazer, chegar, vencer. A verdade é que ainda não me encaixei
no meu novo trabalho. Ainda não achei o meu lugar, nem tão pouco sei o
que me espera ou é esperado. E oh se me fazem falta as certezas.
Puxo os pés à terra e tento lembrar-me que passou pouco mais de um
mês. Um mês não é tempo que chegue para ninguém se encaixar, correcto?
Não estou fora do tempo de encaixe, se tal existir, ou estou?
Tento refrear a ansiedade e deixar de lado o coração, pensando que é
preciso ter calma. Que tudo tem o seu tempo, que tudo acontece por uma
razão. E que até lá é ir continuando o esforço de trabalho, de
adaptação e de aprendizagem. Que pode, eventualmente, não me levar a
encaixar. Mas levar-me-à a ser melhor.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Afinal

A sala de formação era no último piso do hotel, com janelas grandes e um terraço enorme virado para o mar. E ao almoço também tivemos direito a restaurante panorâmico. A formação em si foi interessante, sem invenções da roda mas bastante divertida. Amanhã há mais, mas para já para já vamos jantar ao chinês. Isto se eu não adormecer entretanto.

Bons trabalhos

Por esta hora estou num hotel de cinco estrelas fantástico, mesmo junto à praia, com um cheirinho a maresia e uma vista extasiante.

A parte do copo meio vazio é que estarei na sala de conferências, que deve ser bem lá nos confins, sem janelas e com cheiro a tudo menos a mar.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

E enquanto..

E enquanto meio mundo se queixa que nunca mais vai de férias e outro meio se queixa que é horrivel voltar de férias, eu estou de férias e só penso que daqui a pouco estou a voltar de lua-de-mel depois de quase 2 meses de férias e regresso em força na segunda-feira imediatamente a seguir com trabalho e aulas.

Vá, não se zanguem comigo.

sábado, 19 de junho de 2010

Work. Fun. No Drama


Espero que no vosso fim-de-semana haja mais tempo para a parte do Have Fun do que no meu. Tenho um monte de coisas agendadas, todas na categoria do Work Hard e nem uminha se pode enquadrar no Have Fun.
No Drama, sempre. A vida é só uma e o trabalho tanto se faz com como sem chatices. Portanto é respirar fundo e ter calma, que só ajuda.
Ah, e sol? E este auge da Primavera, que está a chegar o Verão?

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Trabalho


Quanto mais tempo passa, mais consolido uma certeza: Trabalho para ganhar dinheiro para poder gastar em coisas que me fazem feliz.
Gosto do que faço, trabalho na área em que estudei, e já achei que o meu ideal era ter um trabalho do qual gostasse tanto que sentisse que estava de férias todo o ano. Depois não sei se me passou a ingenuidade dos primeiros tempos, se me desiludi ou o que raio aconteceu.
Neste momento, não é essa a minha postura. E sinceramente não sei se quero que seja.
Trabalho, porque o trabalho me traz um salário ao fim do mês, que me permite não só sobreviver como passear, conhecer sítios novos, comprar livros e por aí fora.
E vocês, como é a vossa relação com o vosso trabalho?

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Um dia...

Um dia pego na tua mão e vamos. Para onde o primeiro voo nos levar, sem antecedências nem planeamentos. Um dia entramos numa agência de viagens e compramos uma viagem para hoje, para a paisagem do catálogo que nos parecer mais bonita na altura.

Enquanto esse dia não chega e temos, mais uma vez, a existência de férias condicionada a factores externos [estamos a ficar habituados], vou encostar os livros e os cadernos, tomar um grande banho e deitar-me com um livro novo, o mais leve que encontrar ali na estante.