Lembro-me do dia em que saí do consultório do
dermatologista com um aviso de corte ao chocolate. Eu, disciplinada e ansiosa por ver as borbulhas desaparecerem, assim o fiz. Isto foi há sensivelmente dez anos e lembro-me perfeitamente de ter olhado de lado para o salame, a minha sobremesa favorita, na festa de anos da minha prima nessa tarde. Foi um hábito que me ficou enraizado. Convenci-me e deixei de gostar de chocolate, comendo-o muito ocasionalmente quando o desejo era muito forte.
Até ao dia. Até ao dia em que me disseram que afinal havia outra, e as minhas actuais borbulhas tinham outro motivo. Oh menina, que assim como aprendi que não gostava de chocolate porque não o podia comer, rapidamente aprendi que afinal gostava de chocolate porque o podia comer. E digo-vos, parece quase um vício. Até o leite passou a saber-me melhor com chocolate.
No fim-de-semana passado comi todo o salame que tinha em atraso desde o ano de 1999. Neste sábado comi uma sobremesa de chocolate, no Domingo comi
Mousse de Chocolate, ontem comi bolo de chocolate ao lanche e saí a meio de uma aula, qual ressacada, para comprar um chocolate que os suores e os tremores eram muitos. Hoje comi os
Ferrero Rochers que sobraram do Natal e mais uns quantos
chocolatinhos Suiços que me ofereceram.
Nem uma borbulha. Zero.
Espero que depois de deitar foguetes não me apareça uma no meio do nariz amanhã, para celebrar.