Tenho lido um pouco de tudo sobre as novas produções de moda com mulheres mais... robustas. Vem nos jornais, e há mulheres famosas que começam a ostentar publicamente o chamado Fat Pride.A minha geração cresceu com o paradigma da magreza. Desde cedo fomos pressionadas, porque ser a gordinha era pejorativo. A palavra dieta fez parte do nosso vocabulário em tantas alturas, e demos um grande impulso aos distúrbios do comportamento alimentar como a anorexia e buliria.
Lembro-me de há uns anos, quando a Beyoncé, Shakira e outras se assumiram como mulheres com curvas, ter pensado que talvez fosse uma boa mudança. Mas agora, no ponto em que estamos, não sei.
Se pensarmos que nós, que tivemos modelos magérrimas como exemplos, fizemos tudo o que podíamos para ser o mais magras possível, será que os nossos filhos, crescendo com mulheres como a da foto acima, vão fazer tudo o possível para serem assim?
Então e onde fica a preocupação com a obesidade infantil? O colesterol? Os diabetes?
Para mim, há duas coisas bem diferentes. Uma, é eu ser a Oprah, e ter o meu pequeno império construído em 25 anos em que lutei publicamente com o meu peso. E agora digo "Não, vou deixar de lutar e vou assumir que tenho peso a mais". Outra bem diferente, é estar na moda ser gordo e vamos fazer por isso.
Será esta moda mais saudável?
Não tenho nada contra as pessoas com peso a mais, atenção. Simplesmente não acho que se deva encará-las como padrão de beleza, nem bitola para a sociedade. Assim como não acho que o heroin-skinny o deva ser. No meio, estaria a virtude. Será que não somos capazes?
