segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Agradecer


Hoje é o dia internacional de agradecer, dizem. Eu sou uma pessoa que agradece diariamente por tudo. Ou pelo menos tento, já que de vez em quando a neura me faz esquecer do valor das pequenas coisas.
Mas dizia eu que hoje é dia de agradecer. E eu não podia deixar de agradecer às pessoas que mais amo no mundo, os meus pais.
São rabujentos. Sempre exigiram muito de mim, o que me tornou numa perfeccionista exagerada e frustrada. Fizeram-me chorar muitas vezes, com decisões tomadas a pensar no melhor para mim, mas dificeis de aceitar. Mas são, e serão sempre, os melhores pais do mundo.
São as pessoas que mais razões já tiveram para me deixar de lado, nunca mais me falar, deixar de gostar de mim. No entanto, são as únicas pessoas que nunca, em momento algum, questionaram o amor que sentem por mim. Nunca me deixaram a enfrentar a vida sozinha e deram-me sempre um colo para onde correr. E muitas vezes corri. E corro. E choro aninhada no colo deles, quando as coisas me correm menos bem. E aquele abraço que eles me dão, o amor que só eles sabem dizer com uma festa no cabelo, faz com que tudo o resto pareça por breves segundos relativo.
Os meus pais deram sempre o melhor deles por mim. Deram tudo, o que tinham e não tinham, para me proporcionar a melhor educação, a melhor qualidade de vida, o melhor de todos os mundos. E é impossível compreenderem a gratidão que lhes sinto.
Hoje tenho a certeza que uma grande parte de mim é reflexo do que eles criaram. Sou crente e inflexível nos meus valores, como eles me ensinaram. Todo o meu percurso académico e profissional, bom ou mau que ele seja, deve-se ao facto de eu dar sempre o meu melhor e ser muito exigente, como eles sempre foram comigo. A minha generosidade e vontade de ajudar meio mundo, vem do idealismo que sempre me incutiram. E podia continuar... Só há uma coisa que gostava que um dia eles me ensinassem, mas que em tantos anos nunca conseguiram. Gostava de confiar em mim, nas minhas capacidades e talentos como eles conseguem confiar.
Se há coisa que me dá prazer, é ver o orgulho nos olhos deles. Porque fiz de Maria na primeira festa de Natal no infantário, porque disse um poema sobre rosas no ano seguinte. Porque no primeiro dia de aulas lhes disse que se podiam ir embora, que eu ficava bem, com a minha mochila da Rua Sésamo maior que eu. Quando fui forte para suportar dores e doenças. Quando sairam as notas dos exames nacionais ou quando soube que entrei na faculdade, e uns anos depois na benção das fitas. De todas as vezes que lhes liguei para contar uma nota de um teste, um elogio que recebi ou qualquer coisa que me deixou feliz. E acreditem quando vos digo que deve haver muito pouca coisa que eu não fizesse por mais um olhar de orgulho e felicidade deles.