quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Ter vida

Não sou radical, sou apologista e utilizadora de quase todas as ferramentas online existentes. Mas se há coisa que não entendo (e que me assusta, pelos dados que tenho lido e pelas conferências a que tenho assistido), é a obsessão que existe com uma vida online. Vejo cada vez mais gente, de todas as idades, a ter uma vida online que funciona como uma personagem, um escape, uma fuga à vida real. Não falo de blogs em que escrevemos o que pensamos sob forma de um nome que não é o nosso. Falo de pessoas que gastam o dia ou parte dele a conversar em chats, com pessoas que não conhecem, sobre assuntos do mais banal ao mais sexual. Que se escondem atrás de personagens de jogos, de pessoas imaginárias. Alguma coisa fica para trás.
Será que estas pessoas não percebem que enquanto estão online, há toda uma vida que passa por elas? Há um conjunto de pessoas que as amam e que não estão a receber o devido tempo, a devida atenção? Para mim parece-me bastante óbvio que, mais tarde ou mais cedo, a um ritmo sistemático, a vida online acabe por provocar danos na vida offline. E vale isso a pena? Valerão umas horas de conversa com alguém que não conhecemos e que pode ser exactamente o oposto do que imaginamos, a perda de um casamento? E valerão umas horas em jogos, em fóruns ou no que seja, um posto de trabalho? Ou não ver os nossos filhos crescer? Ou fazer os nossos pais sentirem-se inúteis e sem valor para nós?
Se é um escape, não será mais útil perceber de que estamos a fugir e tentar resolver a situação de forma definitiva?
Eu, que utilizo facebook, linkedin, blogs, skype, googletalk, tudo com moderação, não entendo. Podem tentar explicar-me. Eu duvido que alguma vez consiga compreender de que vale ter uma vida que não é nossa se isso significa perdermos parte da nossa verdadeira vida. Porque no final do dia, quando precisarmos, serão esses contactos online que lá estarão?

6 comentários:

Nokas disse...

E o mais impressionante é que desligam da vida real por isso...

Sofia disse...

Alguns contactos poderão estar:)
Tudo o que é de extremos...
BJ grande

. disse...

Eu só escrevo no blogue. Confesso que nem Facebook tenho. E ligo o msn muito raramente. Mas imagino que grande parte dessas pessoas que passam o dia em chats, talvez seja motivado pela solidão. Pessoas sozinhas, e muitas vezes desempregadas, que tentam ter uma proximidade com outras pessoas de uma forma virtual, visto que não a têm na "vida real".
Vi há uns tempos atrás uma reportagem, que falava precisamente sobre esse aspecto, e as pessoas entrevistadas, deram esta explicação: solidão.

Beijinho*

Rita disse...

A única coisa que me vicia online é o blog. Adoro. Mas nunca, jamais, dispenso o meu tempo aqui quando posso estar com outras pessoas a conviver e tudo o mais. *

Anónimo disse...

Isso é como quem prefere viver na ilusão do que na realidade, porque pode criar um mundo perfeito que simplesmente não existe.

Julie disse...

É inegável que a internet é uma ferramenta muito útil nos nossos dias, passou a ser quase indespensável mas, como em tudo na vida, deve ser "consumida" com moderação.