Ao ler este post, a memória voou automaticamente para um Novembro há três ou quatro anos atrás.
Em Barcelona, vivi a mais bonita história de amor que conheço. Digna de um filme.
No dia em que cheguei conheci-o e conversámos como se nos conhecêssemos há alguns anos. Inteligente, simpático, bem parecido, com um sotaque que o fazia pronunciar o meu nome com um toque maravilhoso. Logo nesse primeiro dia, ele chamou-me "Mariposa", ou "Búrbuléta", numa tentativa de imitar o português. Acabou por ser a principal companhia na minha viagem, e juntos vimos museus, passeámos nas ruas, comemos donuts e bebemos café en las ramblas. Na última noite rendemos-nos às evidências e escapámos-nos do bar onde estávamos, a correr pelas ruas da cidade entre todos os beijos que tinham ficado por dar durante essa semana.
Na manhã seguinte levou-me ao aeroporto, onde como se espera, a hora da despedida foi dura.
De regresso a Portugal, planeámos a minha ida para Barcelona, em erasmus. Até que ele, homem e pouco crente no romance, com os pés demasiado acentes no chão, decidiu que a distância era um fardo demasiado grande. E eu assenti sem concordar, porque se um não quer, dois não dançam.
Passado algum tempo, no blog que eu tinha na altura (e que ele desconhecia), escrevi um texto em português sobre "El efecto mariposa". Nesse mesmo dia, tinha um comentário anónimo que não deixava dúvidas sobre de quem seria. Que ele sabia o que era o efeito, que eu fora e ainda era a sua borboleta. Te espiero en Barcelona. E depois seguiram-se os mails e as chamadas, contrariamente a todas aquelas que ele não tinha atendido quando eu o procurei.
A oportunidade de erasmus já tinha passado, a nossa oportunidade tinha passado. Eu não voltei a Barcelona, ele não chegou a vir a Portugal.
Todos os detalhes estão tão presentes hoje como se de imagens de um filme que eu vi se tratassem.
O argumento, as imagens, a cumplicidade, o cenário... Eram perfeitos, perfeitos para a mais perfeita história de amor. Mas não chegou. Faltou-nos o timming, faltou-nos as características que fariam de nós as personagens certas para o filme.
Mas não deixa de ser a história de amor mais bonita que eu conheço.
Hoje não acredito no amor como história perfeita, como almas gémeas. É preciso ser a pessoa certa no local certo, a encontrar a pessoa certa que atravessa o momento da vida certo. E depois é preciso tempo, empenho e uma grande vontade de fazer a história de amor não ter um final.
10 comentários:
Isso é verdade, não há histórias perfeitas!! Amor é sobreviver às imperfeições!!
Temos muitas saudades do que passou, mas também podemos ter muitas "saudades" do que não se passou, não é? Principalmente quando havia tudo, ou quase tudo, para dar certo e não acontece...
Mas estas histórias, que até achamos improváveis, são assim, bonitas, arrebatadoras, que nos deixam sempre um gostinho a "e se", mas que não devemos deixar de viver.
Mas tens de voltar a Barcelona! Barcelona, Londres e Florença, onde eu voltaria sempre! Florença é melhor não, porque os polícias são tão, tão bonitos que ainda faço por ser presa ;))
Beijinhos
Neste caso, nem tenho saudades do que se passou nem do que não se passou. É apenas uma recordação, que me faz lembrar que uma história, só por si, não faz uma vida. Como num filme, o argumento só não o faz ser bom, se o realizador, os actores e toda a equipa não forem igualmente adequados para aquele filme.
Barcelona e Londres estão no top ten das cidades. A voltar, com certeza! Florença não gostei tanto...
Que pana que não teve um final feliz.
Tens agora o teu amor! :)
*.*
Bem, concordo totalmente com o que dizes no final do teu post.
E fico feliz por saber que agora estás a construir a tua história de amor!
Fogo, fiquei mesmo... Wow!
Beijinhos
Fico feliz que tenha "forçado" essa partilha.
As histórias de amor não existem. Os amores eternos não existem... O que existe é uma vida que nos retribui tudo aquilo que tivermos coragem de dar.
Há muitos SE's, mas não vale a pena pensar neles, porque se não aconteceu é porque não tinha que acontecer. Para se dançar o tango é a dois e é a dois que se decidem alguns SE's
Boa noite KIKA ;)
E eu engoli em seco a ouvir isto.
Como chegaste ao meu Blog? Es o meu Segredo?
Podias dar-me o teu mail.
esomeusegredo@gmail.com
por mais paixão que haja no momento, se não houver empenho e uma luta diária, mesmo o amor mais forte não sobrevive.
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