
A razão porque eu acredito no mundo é, simplesmente, as pessoas que me rodeiam. Se os há que nas 12horas em que não se estão a queixar da vida, estão a maldizer a vida dos outros, tiro o meu chapéu a todos os outros que perante um problema param, choram, berram, esperneiam. E chega. Arregaçam as mangas e não acreditam que o céu é cinzento porque os outros dizem. Acreditam que há, por aí, um pedacinho de céu mais azul, e não desistem enquanto não o encontram. Mesmo que sejam raios de sol temporários, mesmo que logo a seguir seja novamente altura de arregaçar as mangas e correr noutra direcção. Com medos e inseguranças, mas com uma vontade enorme de vencer. Com a coragem de lutar e de não aceitar que este é o nosso país, esta é a nossa crise, este é o nosso fado, e como tal temos que ser todos miseráveis e infelizes que é o que há.
Felizmente tenho muita gente à minha volta assim. Que me inspiram todos os dias, mesmo quando me confessam que têm medo, mesmo quando se vão abaixo. Porque é bom saber que mesmo os mais corajosos também passam por dias maus. Assim, no meu próximo dia mau pode ser que me lembre que talvez também eu seja uma corajosa num dia mau.