
Orgulho-me muito de poder dizer que, na grande maioria dos meus dias, este é um princípio que sigo. Quantas vezes criticamos gestos, palavras, atitudes, sem termos a mínima ideia do que está por trás, do que é a vida dessa pessoa além do que nós vemos.
Conheço uma pessoa, que se a virem na rua parece bem. No entanto, se forem vizinhos dela e a ouvirem chorar, não se espantem nem critiquem. Ela tem o marido desempregado e teve um diagnóstico de uma doença crónica há meia dúzia de dias. Conheço outra pessoa que, se a virem na rua, talvez a achem bem. Mas se ela perder a paciência convosco, percebam que ela está no meio de um desgosto de amor. Conheço outra pessoa que se trabalharem com ela são capazes de enlouquecer com o ritmo alucinado a que ela faz tudo. Mas não a gozem, porque por dentro ela contorce-se e esforça-se para ter mais calma, enquanto luta com uma série de demónios do passado que teimam em não largar. Conheço outra pessoa que se a virem na rua, hão de reparar nos seus olhos inchados e olheiras até ao queixo. Mas mesmo que ela vos fale mal, mesmo que ela seja inoportuna de vez em quando, não lhe respondam mal porque ela está em vias de perder tudo: Casa, carro, mobília, salário. Também conheço um homem que são capazes de achar bruto e distante nos modos e palavras. Não o julguem, porque ele viu o sonho e projecto por que lutou despedaçado e agora, por mais que trabalhe doze ou mais horas por dia, faz contas de cabeça porque o dinheiro não chega para pagar dívidas, contas e comida para a família.
Não faço um apelo à condescendência nem aos brandos costumes. Só faço um apelo a que, em todos os contextos, se lembrem mais vezes que as pessoas são sempre pessoas. Nunca perfeitas, tantas vezes com dramas e problemas que nem sequer imaginamos.
3 comentários:
bem verdade ...
bjokas
Nunca conseguirei fazer-te passar o quanto gostei deste texto.Está magnífico
Há quem diga que basta gostar-se.
Eu gostei muito.
Um beijinho
Gostei tanto deste post e concordo tanto com tudo!
Nunca podemos esquecer que não sabemos tudo sobre os outros e que, acima de tudo, todos somos pessoas, todos temos os nossos problemas e as nossas preocupações, e nem sempre mostram (mostramos) aquilo que realmente se passa.
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