Outro momento que acho que é um ponto de viragem na nossa vida, é
aquele dia em que de repente percebemos que somos adultos.
Não há quem tenha que nos dizer "Despacha-te, que se não vais chegar
tarde à escola". É o nosso eu consciente que tem que obrigar o nosso
eu preguiçoso a levantar o rabo da cama para ir trabalhar, porque é
capaz de não ser boa ideia faltar. Se achamos que o chefe está a
tratar-nos mal, não podemos esperar que a mãe lá vá dizer-lhe, como
disse à professora de ballet, que tem que ter mais cuidado. Quando
decidimos namorar com uma pessoa, não dá para depois lhe responder "A
minha mãe não quer que eu seja mais tua namorada", e quando compramos
uma casa não podemos passado um mês pedir ao pai "Vai lá trocar pela
outra que é mais gira", como fazíamos com os bonecos.
Chama-se crescer. E eu sempre ouvi dizer que as dores de crescimento
custam muito. O que não quer dizer que, nesses dias em que a dor é
mais forte, os pais não estejam lá para nos dar colo. Não há feridas
para limpar com betadine, mas há palavras e conselhos que são sempre
úteis. Porque os pais, são pais para sempre. Mas faz parte do papel
deles deixarem os filhos crescerem e, um dia, serem também pais.

1 comentário:
Adorei o post...tão crescido:)
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