
Não acho que ser forte seja inato, ou somos ou não somos. Não. Ser forte nem é sequer algo constante, são momentos-chave em que perante duas hipóteses, escolhemos não a mais fácil, nem a mais apetecível, mas a mais correcta.
Uma vez ouvi o alpinista João Garcia a contar a sua história, e dizia ele que muitos dias não lhe apetece treinar. Porque está frio, porque está cansado, porque queria mesmo ver esta série na TV. E dizia ele que na grande maioria das vezes, mesmo sem querer, se forçava a levantar-se da cama. Porque cada dia de treino perdido, é um dia de treino que nunca mais se ganha. Porque sabe que quando estiver num momento crucial, no alto de uma montanha, todo e qualquer bocadinho de treino faz a diferença.
Nos meus primeiros testes da escola, ficava sempre muito nervosa na manhã do teste. Consciência pesada, de quem tinha passado a tarde anterior a fazer tudo menos a estudar. E a minha mãe dizia-me: Agora não vale de nada estares nervosa. O que estudaste, está estudado. Se foi suficiente, muito bem. Se não foi, que te sirva de lição para a próxima que estudar é antes dos testes. E este chá que ouvi tantas e tantas vezes, é o que me faz agora ser o que alguns chamam de forte.
Há um objectivo? Pois bem. A escolha é lutar ou entregar nas mãos de Deus. Eu escolho lutar, se o quiser muito. Quero-o muito? A escolha é trabalhar e fazer tudo nas minhas mãos para o concretizar. No momento certo, porque há tanta coisa na vida que é como nas montanhas: Ou fazemos antes da escalada, ou não nos será útil. Se me apetece sempre fazer o correcto? Não, não me apetece, nem o faço sempre. Mas faço-o sempre que sei que daí depende o sucesso ou insucesso dos meus objectivos. Porque há algo maior por trás: O sucesso ou insucesso dos meus objectivos não se fica por ali, pelo dia em que completei a licenciatura ou arranjei o primeiro trabalho. Permanece na minha vida, influencia-a positiva ou negativamente, tem consequências no caminho que farei, no meu futuro e colateralmente no futuro dos que estão à minha volta.
O que não quer dizer que não peça a Deus para me ajudar, para me empurrar naquele bocadinho pequenino que me está a custar tanto. Assim como peço ao meu marido que me obrigue a levantar, assim como peço à minha C. que me envie energias positivas lá de longe. Mas o trabalho, esse sou eu que o faço. Na altura certa. Com os medos e receios naturais, mas sem baixar os braços.
O "faço amanhã" não existe, a inércia permanece e ainda se agrava. Mas às vezes ser forte também é saber parar, saber que está na altura de desistir, que não podemos fazer mais. E aí... bom, aí tenho muito para aprender.
2 comentários:
Nem imaginas o bem que fez hoje à tua C. ler este texto.
Ultimamente tenho-me esquecido de que no topo da montanha vou precisar destes dias em que, por estar descrente, pouco ou nada fiz.
Energias positivas pedem-se desse lado :-).
E, por enquanto, não me parece que tenha chegado a tua altura de desistir do que quer que seja.
Siga para a frente!
Beijinhos!!!
Obrigada por compartilhar estes pensamentos em teu blog, passo por aqui todos os dias, a principio por rotina, hoje por me identificar muito com teus sentimentos, pelas mudanças que a vida também está requerendo de mim e que nem imaginava se estava pronta ou não, mas que lá vou eu.
Obrigada de coração!!
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