mas não mordem, que ameaçam, refilam e são do contra só porque sim. Às
vezes custa trabalhar com uma pessoa assim, que nos chaga a cabeça com
fornicoques que não lembram a ninguém, que nos magoa quando às vezes
diz disparates que não lhe passaram pelo filtro da sensatez.
E depois há os outros. Aqueles que não perdem a postura, que se deixam
sempre ficar por meias verdades e meias palavras, que meticulosamente
reflectem cada palavra, cada gesto, cada acção, como um jogo de
xadrez. Raramente se enervam e têm uma ponderação exemplar. E é destes
que eu tenho medo. Porque em silêncio e pé ante pé, são os primeiros a
trocarem-nos as voltas sem sequer darmos por isso. Porque são aqueles
que não chovem, mas molham que se farta. O meu caro chefe é destes,
que ladra pouco mas bem... Estou sempre a ver quando é que vai morder.
E ontem lá voltei à pedinchice, por aquelas coisinhas que nem devia
ter que pedir. Ele nem tugiu nem mugiu. Nunca sei se é bom ou mau
sinal.

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