segunda-feira, 10 de maio de 2010

Alter-Ego

Dei por mim a compreender os Alter-Egos do Fernando Pessoa. Percebi que um dos motivos porque tantas vezes me sinto desequilibrada é, precisamente, por me faltar o equilíbrio entre os meus dois eus. O eu politicamente correcto, socialmente aceite, cheio de reflexões e qui-pró-quos, que fez a escolaridade toda nos anos certinhos, que seguiu para a licenciatura e depois para o mestrado, que adora estudar e trabalhar. Que come leite com cereais ao pequeno-almoço, um iogurte a meio da manhã e sopinha antes do prato ao almoço e ao jantar. Que se deita antes das 22h00, não bebe nem fuma. E depois há a outra. A que acha que o pão-com-chouriço e o gelado são bons em qualquer refeição, que tem requintes de malvadez para quem mais os merece, que domina a arte da ironia e que roda a baiana assim que a conversa não lhe interessa.
Aprender que tenho estes dois lados tão diferentes quanto complementares, foi uma bênção. Aceitá-los, foi ainda melhor. Agora vivemos todos em harmonia, conforme a situação. E sabem que mais? Não me sinto louca. Nem me sinto menos eu. Nem pior pessoa.

Fim-de-semana

Entrega de convites. Futebol e jantaradas. Limpezas e trabalhos de grupo. Leituras e poucas horas de sono. Capuccinos ao Pequeno-Almoço e duas calças de ganga novas para moi même. Fez-se tanto este fim-de-semana e ficou outro tanto por fazer. E hoje é segunda e não apetece nada. Na-di-nha.

sábado, 8 de maio de 2010

Opostos

Ele passava o ano a juntar dinheiro, para quando chegasse a altura da feira da terra ter mil escudos para gastar nos carrinhos de choque e carrocéis.
Eu passo o ano a sonhar com a altura da feira, para me desforrar no pão com chouriço e nas gomas.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Força, querida!

Força, querida!
Arrisca, sonha, começa de novo!
Acima de tudo, acredita em ti própria.
Tem coragem e agarra a vida.
Está tudo lá para conquistares.
Hoje recebi um livro, com este texto maravilhoso na contracapa. Os textos fazem-nos sentido conforme a fase que estamos a passar, e este fez-me muito sentido. Hoje recebi um mail com uma notícia triste, e de repente esta frase passou a aplicar-se muito melhor a uma amiga fantástica, uma mulher extraordinária, lutadora e de coração gigante que conheço.
Força, querida! O mundo é teu. E eu adoro-te!

Prendada



Ontem recebi um presente. Um perfume novo, maravilhoso, que andava a namorar. E traz uma bolsa linda, linda, linda.

Obrigada, amor.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Ideias

Passou-me agora uma ideia pela cabeça.
Amanhã chego ao trabalho e despeço-me. Depois procuro um part-time numa loja, quatro horinhas por dia cinco dias por semana, a ganhar mais de metade do que ganho agora a tempo inteiro.
Ficava com tempo para o mestrado, para me sentar ao sol a ler, para cozinhar muitos bolos e para meditar e fazer yoga. Talvez até pudesse voltar ao voluntariado.

E depois sou como a campanha da Sumol. Um dia deixas de fazer o que te apetece.

Desajustamento

Hoje, a caminho do trabalho reflecti sobre uma frase que li. Será que, na maioria dos casos, a depressão não é apenas um desajustamento?Homens, animais de hábito, odiamos a rotina tanto quanto dela precisamos para nos sentirmos estáveis e seguros. Mas muda o mundo, muda a tecnologia, muda a sociedade a cada segundo. E nós que mudemos também, que nos ajustemos para nos voltarmos a ajustar, até às mudanças que não reconhecemos. E depois há dias em que nos sentimos inevitavelmente desajustados, irremediavelmente tristes e sós. Porque o chefe nos mandou desempenhar uma tarefa que não sabemos nem gostamos, mas que em nome da tão aclamada polivalência temos que aceitar. Porque hoje que nos apetecia um belo repasto para o jantar teremos que nos contentar com um frango assado na churrasqueira do bairro, porque o tempo ou o dinheiro não dá para mais. Porque hoje, que precisamos de um abraço apertado, não temos quem o dê porque o grande amigo anda cada vez mais afastado, porque o marido está numa viagem de negócios, porque toda agente está demasiado ocupada.Eu sinto-me muitas vezes assim. Sinto que o mundo gira para um lado e eu ando, sozinha, a tentar correr para o outro. Como as crianças que tentam subir nas escadas rolantes que descem. Às vezes consegue-se. Outras vezes o esforço não vale a pena porque acabamos por nos deixar ir, ao ritmo da escada que desce, quando queríamos subir.