Alguns assuntos são tabu, sem razão de ser. Normalmente, esses assuntos tabus são tão reais e tão importantes para todos nós como o respirar.
Os problemas psicológicos são um desses assuntos, que na minha opinião deviam ser falados, debatidos, discutidos. Sem estigmas, sem vergonhas, porque quem nunca lá passou que atire a primeira pedra.
Esta altura do ano é propícia a pequenas (ou grandes) tristezas, sentimentos de infelicidade e outros que tais. É assim na natureza, quando o sol começa a querer aparecer mas a chuva não vai embora; Quando as folhas começam a surgir nas árvores e as flores começam a polvilhar de cor as paisagens. Nesta mudança de estação, tal como naquela em que as folhas caem, os nossos corpos ressentem-se. De maneiras diferentes, é certo, mas ressentem-se. O cabelo cai mais, as unhas ficam frágeis...
Se é assim na natureza e no nosso corpo e não temos pudor em falar, porque havemos de ter vergonha de dizer que também é assim na nossa alma? Que nos sentimos cinzentos como o céu, mesmo quando o sol tenta brilhar?
Não significa que temos um problema mental, e que significasse! Alguém tem vergonha de ter uma gripe? Alguém esconde que é internado com uma pneumonia?
A depressão, tal como a
bipolaridade, a
hiperactividade e os distúrbios do comportamento, são reais. Afectam-nos, comprometem a qualidade de vida tanto ou mais que uma doença física. E, infelizmente, afectam cada vez mais gente.
Então porque é que nos calamos? Nós, que vivemos no século XXI. Nós que somos tolerantes com as diferentes raças, credos e orientações sexuais. Nós que não somos capazes de dizer: Estou deprimido, ando no psiquiatra, ando no psicólogo. Nós, que olhamos de lado quando alguém nos diz uma destas coisas, e pensamos: Coitadinho.
E tem graça. Se todos falássemos abertamente destes problemas saberíamos que nunca, nunca estivemos sozinhos.