quinta-feira, 25 de março de 2010

Shopping

Estou contente, aos pulinhos sem caber em mim de tanto contentamento.
Abriu um shopping aqui nesta terra. Mas é um Shopping à maneira, como tudo a que tenho direito. Todas aquelas comodidades que se tornaram em comodidades de fim-de-semana-de-quinze-em-quinze-dias, quando sai de Lisboa.
Agora tenho celeiro, com cereais da Jordans e empadas de espinafres. E a Natura, com uma colecção nova linda de morrer. E a blanco, e a stradivarius, e a springfield mulher. E a Douglas e a Boutique dos Relógios, e um kiosk da swatch e outro da Sigg.
A minha veia consumista está ao rubro.
Liguei ao meu noivo, compreensivo e amável, para partilhar esta euforia que tomou conta de mim. Ia dizer-lhe que era boa ideia evitarmos as enchentes, e irmos visitar o shopping no nosso primeiro dia de férias. Mas ele, compreensivo e amável (E ainda mais consumista que eu), antecipou-se e sugeriu: Então nas férias mudamo-nos para lá?
Pareceu-me boa ideia. E optámos por dormir loja dos doces.


Hoje estou em dia de precisar de mimos.
Apetece-me receber presentes e abraços, e elogios sinceros.
Apetece-me mudar, sair daqui, cortar com a inércia instalada.
Tentar a minha sorte, tentar voar, ir mais longe e ser feliz.

cha-cha-changes

Uma das palavras de ordem nas empresas actualmente é mudar.
Muda-se de colaboradores, mudam-se os colaboradores, mudam-se as equipas e mudam-se as tarefas.
A empresa onde trabalho é o ex-libris disso mesmo.
O actual Director de Recursos Humanos era o antigo Director Administrativo, o actual Director Administrativo já foi Director de Marketing, o actual Director de Marketing era o antigo Director Comercial. E por aí fora. Eu já estive em quatro secretárias diferentes, com quatro directores diferentes, sempre com as mesmas funções. Há quem nunca tenha saído da mesma secretária e já tenha tido três ou quatro funções diferentes na mesma equipa, ou que mantendo as funções já mudou várias vezes de equipa.
Só na última semana: Mudei de secretária num dia, passados dois dias uma colega passou para outra equipa, o que significou um reajustamento das tarefas, e não me parece que vá ficar por aqui.
Sou nova, não sou renitente à mudança, e mesmo assim custa-me. É difícil habituar-me e desabituar-me. Sobretudo porque, tudo o que é demais enjoa. Até as coisas boas, como as mudanças devem ser.
Na verdade, isto parece um jogo de cartas. Eles estão a jogar, e nós somos as cartas. Baralha e dá. Joga, volta a jogar, e o Ás de paus passa para o jogador do lado. Um ganha, outro perde, juntam-se as cartas, baralha-se e volta-se a dar.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Eu até sou boa rapariga... III


Está na hora de reformar o 212 Sexy.

Actos falhados

Se Freud lesse o meu blog, daqui a pouco estaria a rir-se e a dizer: Kika, são os actos falhados... É o inconsciente.
Então não é que cheguei a casa, arrumei umas coisas, vesti o pijama e aprontei-me para me entregar de corpo e alma a uns artigos que tenho para ler. Fui buscar o portátil e... Onde estava o portátil? Nem na cozinha, nem na sala, nem no quarto, nem no corredor... Em lado nenhum. Até que se fez luz. Abri a porta da rua e lá estava ele, do lado de fora, no chão.
Acho que não é preciso dizer mais nada.

terça-feira, 23 de março de 2010

Sabor da saudade

No primeiro dia que entrei na faculdade onde estou agora, fui inundada pelo cheirinho a croissants torrados que vinha do bar. Em segundos, estava de volta à escola secundária, aquele bar pré-fabricado onde se jogava matrecos e se comiam as melhores napolitanas e os melhores croissants mistos aquecidos do mundo.
Os croissants de massa de pão de leite, com queijo e fiambre, aquecidos/torrados são o meu sabor da saudade. E para os sabores da saudade, todos os momentos são bons momentos.
A semana passada, foi um lanche tardio.
Hoje foi um jantar fraquinho, um peixinho da cantina que mais parecia sola de sapato.

Incoerência

Sei que não tenho nada com isso, mas custa-me a incoerência das pessoas. Daquelas que passam os dias a chorar o seu triste fado mas que afinal, até nem são tão tristes assim.
Pessoas que se queixam que são as piores, as mais mal pagas, as mais desgraçadas, que qualquer dia não têm dinheiro para dar de comer aos filhos. E que depois gastam 1000€ num tratamento redutor, numa clínica chiquérrima que começa por P. Ou que, coitadas, têm um carro que está a cair de podre, mas não o podem trocar por qualquer um. Tem que ser um Qashqai, ou outro da mesma gama. Que olham de lado quando uma pessoa conta que foi passar um fim-de-semana fora ou que foi a um cinema, mas depois pergunte-se onde estiveram no sábado e a resposta há-de oscilar entre um ou outro centro comercial, de onde voltam cheias de saquinhos com vestidos, malas e camisolas da Desigual ou calcinhas da Salsa. Para elas, claro. Que os filhotes vestem roupinha do hipermercado que crescem tanto que não se pode.
Não tenho nada com isto, é um facto. Cada um vive como quer, é outro facto. Mas a incoerência mexe realmente comigo.