
Nos maus momentos, há sempre um dos elementos do casal/família a quem calha o papel de aguentar o barco. E é duro. Mas essencial. Chamemos-lhe remador. Aquele que rema, quando todos os outros estão demasiado fracos para sequer olhar para a outra margem do rio. Que rema sem parar, mesmo quando as suas próprias forças são parcas. Escondendo a sua própria tristeza, focando-se inconscientemente na tarefa de ajudar o barco a chegar a bom porto. A parte mais complicada, é esquecermos o egoísmo que é tão nosso, tão humano, e conseguirmos não pensar que também nos dói, também nos cansa, também nos estamos a afundar. É difícil, mas é isso que separa os grandes amores. É essa capacidade de nos esquecermos de nós próprios por um bem maior, de mover montanhas quando até nem nos apetece sair do sofá.
Só temos consciência que desempenhámos este papel quando, atracado o barco, deixamos cair a cabeça e nos permitimos chorar. Depois da crise passar, depois da maré acalmar. E pensamos que arranjámos forças sem saber onde. Foi no amor. No amor que sentimos e na certeza que a outra pessoa fez e faria, exactamente o mesmo se fossemos nós que não conseguíssemos remar.
5 comentários:
Lindo texto! Me senti assim algumas vezes na vida, por ser a filha mais velha, e por ter um pai mais sonhador do que realizador, teve momentos que tive que assumir papeis que não era o meu e isso me deixou cansada. Em você vejo que leva a situação por um lado melhor do que eu levei, transformando isso em uma demostração de amor eu alimentei uma raiva que ainda hoje me machuca.
Desejo que tudo passe logo!!
Pois é!
Vi o teu barco passar pelo meu. O au anda perdido em alto mar. Desejo-te muita sorte, porque isto de se remar sozinhos é muito solitário. Um grande beijinho
Cris, não vale a pena a amargura.
Anónimo, obrigada. Boa sorte para ti também, e bom rumo nessa viagem!
gostei da comparação feita no teu texto...
Em geral é o elo mais forte que rema sempre, sempre que o companheiro/a não conseguem mais...
Faz parte da amizade, do amor...
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