segunda-feira, 26 de abril de 2010

Mais marés que marinheiros

Tinha-me despedido na semana antes e aguardava por boas notícias. Sozinha em casa, numa cidade que era ainda tão pouco minha, pouco faltava para mergulhar numa já tão conhecida espiral do desespero. Peguei numa mala e enfiei-me num expresso, rumo ao Algarve onde os meus pais estavam de férias.

E naquela semana, mudei. Todos os pequenos aspectos das férias de sempre que me eram tão familiares acalmaram-me e renovaram-me. Os almoços de peixe, no sítio do costume. As sestas e as leituras. As corridas à beira-mar com o meu pai, com conversas sobre os sonhos e as ambições. A força que recebi nesses dias e que me fizeram crer que tudo era possível. Bastava querer, bastava acreditar muito. E um dia o telefone tocou. E nesse dia acreditei mais do que nunca que os sonhos se realizam e que depois da tempestade vem sempre a bonança.

Foi em Junho de 2008 e esses dias parecem tão longe mas ao mesmo tempo tão perto. E estas memórias têm estado particularmente vivas em mim nos últimos dias. Porque agora precisava mesmo da paz que nos traz aquilo que conhecemos tão bem. Precisava mesmo de acreditar que sou forte e que tudo é possível. E que a vida é um ciclo como a maré que enche e vaza, dia após dia, para nos deixar espaço para as nossas caminhadas à beira-mar.

1 comentário:

Nirvana disse...

Kika, não duvides que a vida é isso mesmo. Ciclos. Ciclos que temos de passar, de viver. Uns menos bons, outros bons. Por vezes, só a lembrança dos bons já é suficiente para nos apaziguar nos menos bons. Porque foram verdadeiros.
Beijinhos, e boas marés, Kika, porque elas existem!