terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Da independência

Se há coisa que a independência nos trouxe, a nós, mulheres, foi a certeza das nossas capacidades. E a sinceridade dos nossos sentimentos.
Não preciso do dinheiro dele para comer, e ele sabe. Não preciso de lhe pedir se me apetecer comprar umas calças ou ir almoçar fora. Não preciso que ele me ajude no meu trabalho, nem o meu novo corte de cabelo vai depender da opinião dele. Nem preciso da companhia dele para viajar, porque longe vão esses tempos. E ele sabe.
Mas digo-lhe quando quero comprar umas calças, porque gosto da opinião dele. E digo-lhe quando vou almoçar fora, porque gosto de partilhar o meu dia-a-dia com ele. E conto-lhe do meu trabalho, do que fiz e do que disse, porque sei que ele terá sempre algo a acrescentar, e gosto que o faça. Gosto de ouvir as sugestões dele quanto ao corte de cabelo a fazer ou roupa a usar, porque gosto de conhecer a sua perspectiva e é sempre bom agradarmos a quem nos ama se isso não nos fizer menos felizes. E faço planos para viajar com ele, porque de todas as pessoas ele é aquela companhia com quem mais gosto de partilhar a vista magnífica da Torre Eiffel ou um qualquer pôr-do-sol magnífico.
Não vou dizer que tudo o que faço o inclui, ou que lhe conto cada passo que dou. Mas a verdade é que uma pessoa habitua-se à segurança. À segurança de sair de uma reunião e ter a quem ligar para contar as boas ou as más notícias. Ou de ir a uma consulta e ter a mão dele para apertar. Ou de ir às compras e ter alguém que pega na camisa que escolhemos e a leva, para pagar. Não porque precisamos, mas porque nos quer fazer feliz.

8 comentários:

Su m disse...

Sim, é verdade isso que dizes.
A liberdade é tão somente podermos ter esse tipo de escolha :)

Anónimo disse...

Isso é o melhor que pode haver é termos alguém para poder partilhar tudo isso pois só assim vale a pena.

Bj., Isaal.

S* disse...

Sim... alguem que ajuda sem querer algo em troca.

Olhos Dourados disse...

E assim é que deve ser, não por obrigação, mas por gosto.

Nirvana disse...

A isso, Kika, chamo cumplicidade, essencial a qualquer relação.
Parabéns pela maneira bonita como encaras a vida!
Beijinhos

Sorriso disse...

Concordo. Quando isso é feito por gosto, não quer dizer que somos dependentes. :)

Beijinhos

Cinderela disse...

Oficialmente deprimida com o teu post!
Brincadeira, acho que é assim mesmo que deve ser.*

Random Blogger disse...

post que faz toooodo o sentido :) nao posso deixar de concordar ;) **